Relatório de gestão 2017-2022


Relatório de gestão 2017 – 2022

 

O que uma editora pode oferecer aos seus autores e leitores? Livros de qualidade. Produzir livros é uma empreitada que demanda um esforço conjunto e articulado de pessoas que possuem habilidades diversas: leitura e avaliação do mérito do livro, da forma e apresentação do texto, cuidado e conhecimento técnico de papel, tinta, costura e cola ou formatos digitais (audiolivro, epub, pdf etc.). Trocando em miúdos, o que uma editora faz é avaliar, revisar, diagramar e publicar livros. Editar livros é transformar um texto num objeto chamado livro que circula, que é lido e debatido, afinal, a ciência é feita de diálogo.

Desde 2018 trabalhamos com editais de publicação para que as regras de publicação fiquem claras e conhecidas. Publica quem tem seu livro bem avaliado, não quem é “da casa” ou quem tem bom currículo. Ser editor de editora universitária significa lidar com colegas, não com clientes. Nesse sentido, os editais dão transparência ao processo de seleção de originais e oferecem à universidade uma previsão do número de livros publicados por ano.

Estive à frente da EDUFRO desde junho de 2017 e não consegui, nesses 5 anos, equipar a editora com pessoal qualificado. Um técnico foi lotado na Editora, mas, como foi chamado para assumir cargo em outra instituição, ele permaneceu na EDUFRO apenas entre setembro e novembro de 2021. Outro técnico chegou a ser lotado na EDUFRO, mas não chegou a exercer função alguma porque foi retido em sua unidade de origem pelo seu chefe imediato.

Quando conversava com pessoas que eu achava que gostariam de assumir o meu lugar na EDUFRO, elas se assustavam com o volume de trabalho burocrático (contrato de cessão de direitos autorais, contrato de prestação de serviço da terceirizada que produz nossos livros, planilha de previsão de orçamento) e ausência de servidores lotados na editora. Só pra ter uma ideia do quantitativo de servidores lotados em outras editoras do Norte (exceto a UFPA, que é de grande porte), fiz um levantamento em 2021:

Editora UEA: 11 servidores e 6 estagiários

EDUA (da UFAM): 4 servidores e 2 estagiários

EDUFRA (Rural da Amazônia): 4 servidores e 1 estagiário

EDUFRR (Roraima): 2 servidores e 2 estagiários

EDUFT: (Tocantins): tinha 15 servidores quando era diretoria, foi subordinada a uma Pró-Reitoria e perdeu todos os servidores, resta 1 estagiário.

A EDUFRO teve, em toda a sua história, desde 2001, somente 1 técnica, no tempo em que Lucas Bueno era editor. Ou seja, a estrutura da EDUFRO não mudou muito desde sua fundação. Na portaria 557/2017/GR/UNIR, o cargo que exerci não é de chefia, direção, gerência ou coordenação (porque não há equipe a ser liderada). Fui portariada como editora. Tive que aprender a ser editora e a ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias) foi uma importante escola e espaço de trocas.

Considero que a Editora seja um lugar de formação. Acho importante contar com uma equipe que possa ser formada e que continue formando estagiários e cultura acadêmica. Por mais que a EDUFRO conte com a terceirização dos serviços de revisão, diagramação e impressão, é preciso poder avaliar os serviços prestados com competência. Seria ideal não ter que depender do calendário da terceirizada para avançar no fluxo editorial.

Na EDUFRO atuaram diversos estagiários, poucos selecionados por mim, o que gera um problema: terceirizamos o serviço de produção editorial, mas fazemos questão de manter e criar uma identidade visual através das capas dos livros. Como linguista, posso avaliar a revisão dos livros, mas minha formação não me permite criar capas. As capas são elaboradas pelos/as estagiários/as – e essa é uma escola em que eu não tenho condições de ensinar a usar ferramentas gráficas digitais.

Considero que a EDUFRO seja um local em que podem acontecer estágios não remunerados (ligados ao livro, texto, cultura editorial etc.) para alunos de Letras, Artes Visuais e Biblioteconomia. Seria interessante formalizar acordos com os Departamentos, de modo que a editora seja, além da escola, uma opção de estágio curricular. Vejo na Editora a potência para a criação de um centro de escrita acadêmica, mas na condição de homem-banda essa tarefa é impossível.

Considero urgente pensar em maneiras de compensar os pareceristas – seja através de pagamento de pró-labore (a editora da Fiocruz, por exemplo, paga R$ 400,00 por parecer, a Editora da UNESP também), seja através de pontuação na progressão funcional dos servidores da casa – o que exigiria uma reformulação da resolução 116/Consad.

Em cinco anos, a EDUFRO publicou:

2 livros avulsos

18 livros impressos e digitais pelo edital 2018

4 (de 18) livros (por enquanto digitais) pelo edital 2019

4 livros digitais em coedição

23 livros digitais pela Coleção Pós-Graduação da UNIR.

Os livros restantes do edital 2019 estão sendo finalizados, os livros do edital 2021 foram encaminhados à terceirizada para editoração. É uma pena não poder publicar e lançar estes livros com os autores e organizadores que acompanhei nessa jornada.

Deixo a editora porque não consigo mais equilibrar todas as funções que devo/desejo assumir. Espero sinceramente que a EDUFRO continue sendo procurada por autores e leitores e que publique livros cada vez melhores. Espero que tenha equipe, que volte a vender seus livros para que circulem em feiras, eventos e estantes.

 

Porto Velho, 8 de julho de 2022

 

Lou-Ann Kleppa